← Siam Niramit Phuket, o grandioso espetáculo cultural da Tailândia Guia do Siam Niramit

O ESPETÁCULO, ATO A ATO

Sião Niramit Phuket: os três atos, ato a ato

Um olhar mais atento ao que cada ato de Journey to the Enchanted Kingdom of Siam realmente representa — desde as regiões do antigo Sião até ao céu, inferno e festivais tailandeses.

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Primeiro o teatro, depois a lição de história.

Siam Niramit não tenta ensinar história tailandesa por ordem — encena um ambiente. Cada um dos três atos é construído como um espetáculo autónomo, usando figurinos, dança, música e iluminação em vez de diálogo para conduzir a narrativa, pelo que o percurso desde reinos centenários à cosmologia budista e às festividades modernas nunca soa a lição. Saber, de forma geral, o que cada ato procura transmitir — primeiro o lugar, depois a crença, por fim a celebração — torna as mudanças rápidas de cena mais fáceis de acompanhar, especialmente se esta for a tua primeira experiência com as tradições performativas tailandesas, e transforma o que poderia parecer um desfile desconexo numa estrutura que consegues, de facto, seguir a partir do teu lugar.

Ato I: o antigo Sião, região por região

A abertura percorre uma geografia histórica real, em vez de uma narrativa única. Começa no reino de Lanna, no norte, um estado tai fundado no final do século XIII, com a capital fixada em Chiang Mai em 1296, aqui representado em homenagem num templo. Segue depois para sul, até uma cena de comércio costeiro, avança para leste, até Isaan, com as suas construções em pedra de influência khmer e as esculturas de apsaras a despertar, e termina em Ayutthaya — o reino entrecortado por canais que dominou o Sião desde os anos 1350 até à sua queda em 1767 e acolheu comerciantes portugueses, holandeses, persas e chineses — encenado aqui com uma procissão de barcos reais a deslizar sobre a água.

Segundo Ato: os Três Reinos da crença tailandesa

O segundo ato deixa a história para trás e entra no domínio da cosmologia, inspirando-se livremente no Traiphum — um texto budista tailandês com séculos de existência que descreve o universo como três mundos dispostos em torno de uma montanha cósmica. Em palco, isso transforma-se num inferno ardente governado pelo seu rei, na mítica floresta de Himmapan que a tradição tailandesa situa na fronteira entre os mundos humano e divino, e num céu onde seres celestiais dançam entre as nuvens. É o ato com os maiores desafios técnicos do espetáculo, desde efeitos de fogo e fumo do submundo a artistas aéreos que representam o voo entre reinos, e é normalmente a secção que o público recorda com mais vivacidade no final.

Acto III: os festivais que encerram a história

O final revela como os tailandeses marcam o calendário nos dias de hoje, e não apenas no passado. Aborda o Songkran, o festival da água de meados de abril agora mundialmente conhecido pelos banhos nas ruas, mas enraizado em visitas aos templos, atos de mérito e bênçãos aos mais velhos; o Phi Ta Khon, uma procissão de máscaras fantasmagóricas da província de Loei ligada a uma história budista sobre uma vida passada do Buda; e encerra com o Loy Krathong, quando pequenas embarcações de folha de bananeira são lançadas à água na noite de lua cheia do décimo segundo mês lunar para homenagear a deusa das águas e pedir perdão pela sua poluição — recriado aqui como barcos à luz de velas a deslizar por um lago que inunda o palco.

Porque é que quase não há diálogo falado

O espetáculo foi concebido para funcionar para um público que não partilha a mesma língua e, em qualquer noite, a plateia pode incluir uma dúzia de nacionalidades. A narração é mínima — legendas curtas e multilingues, complementadas por uma voz-off em inglês, conduzem os pontos-chave da trama entre cenas, enquanto a verdadeira narrativa assenta no movimento, na música e na encenação, mais do que nas palavras. É uma escolha deliberada para um teatro que atua para um público maioritariamente internacional todas as noites da semana, e é em grande parte por isso que o espetáculo se lê com clareza, mesmo que apenas capte uma fração das legendas à medida que as cenas mudam.

O que vale a pena ver, cena a cena

Alguns momentos recompensam quem presta atenção para além dos cenários mais óbvios. Observe as mudanças de figurino entre reinos no Ato I, encenadas com tal rapidez que vale a pena olhar tanto para os bastidores como para o centro do palco; repare na mudança de cor e temperatura da luz quando o Ato II passa do inferno ao céu, que faz grande parte do trabalho emocional antes de qualquer cenário se mover de facto; e preste atenção à preparação antes do final, quando os intérpretes e a maquinaria oculta preparam o proscénio para os efeitos de água que fecham o Ato III — uma transição que a maioria dos visitantes de primeira viagem perde por completo.

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